quinta-feira, agosto 19, 2010

Tempo queimado.


Com um pedacito de pau, quebrado em olhar de celofane branco, vai empurrando para dentro do círculo de fogo, brasas apenas, envoltas por umas pequenas pedras, protectoras cuidadas, não vá o acaso da desdita acompanhada, levar uma delas, (brasas), para a caruma dos pinheiros ou folhas secas, tão secas, das giestas. Sem labareda, numa combustão de tenor, deixa que fique enegrecido, por acção do fogo, e, recorda, pelo tempo passado, galopar frenético, provocado que é, da química reacção, duma ilusão, não de óptica, sim de sentir, contida, ou guardada, numa caixinha feita de cana, cortada com imensa paciencia, a qual envernizou em tom de castanho, e dela cuidou, sempre esgueirada a olhares não queridos, nem deixados, aproximar.

De negros e pequenos rolinhos, queimados, se apoderou em seus dedos esguios, palpou-os, um sorriso de encanto, e, lábios finos, desenhando pequena forja, sopraram em lentidão de sede, o que restou dum desejo escrito, retido no tempo.

Não te toquei, nem senti... Disse para si.

Mas vi, confirmei entre sons, a existência do que busquei... Disse para si.

Não vou guardar as cinzas dum sonho... Disse para si.

Soprou tudo o resto.
Levantou-se. Caminhando ate á fonte próxima, parou,lavou as mãos, não as limpou, seguiu...

segunda-feira, agosto 16, 2010

Pausa.


Esta pausa feita entre dias,
foi, será sempre, nas noites
lapidadas em que, lá longe,
se apega, ás vestes dessa
estrela, cintilando, em brilho,
o gaudio, incontido, do meu
sorrir...



Quarto Crescente


Amanhã, após acordar, mesmo até
durante o sono que repousado quero,
nesta noite alongada, no sentido, um
outro não poderia, porque, ao poder
ela deixaria de ser noite, sendo dia,
e então, o Sol, viajante sem destino,
por certo se zangaria, abafando sem
temor, os gritos, dados, de alegria.

Amanhã, será o Quarto Crescente
da Lua, que me não é de pertença,
mas tenho...

Amanhã, irá ser o dia, passado, em
auscultações do tempo que me foi
escapado.

Amanhã, após acordar, talvez queira
adormercer. Talvez...



Sem sim

Sim. Adormeci, embalado por mim
que me parei.

Não. Adormecido estava, imaginei
que, um tudo, vindo do nada, em
suave afago me embalava.

Sim. Mão estendida, esticados, os
dedos, em pontas tocadas.

Não. Em toque se fica p'la minha
mente, o cálido beijo, que se não
sente!!!

domingo, maio 02, 2010

DIA DA(E) MÃE


Hoje é dia da (ou de) Mãe.
Ontem foi dia do (ou de) filho(a).
Amanhã será o dia de muitos filhos da mãe.
Depois haverá, sempre houve, o dia dos filhos sem Mãe.
Sempre há, o dia de muitas Mães sem filhos...

E... encontram-se então em fraterno abraço, os filhos sem
Mãe, dando as mãos ás Mães de outros filhos...

Mãe. Filho(a).

A perfeita conjugação encontrada num só dia!!!


quinta-feira, abril 22, 2010


O novo acordo, (deveria ser acordão), ortográfico impede
que saiba fazer conjugações de verbos em lar.

Tentarei a sua conjugação sem ar.

Ficar!

Os outros pássaros não deixam que durma um sono
mais alongado...

Um milhafre, no cimo daquela chaminé em branco,
faz o exercício matinal tendo como ponto de mira um
pequeno rato que, saido da toca ainda dorminhoco,
se alonga num bocejo.

Admiração, em suspenso, pela luta desenhada sem o
traço de punho firme, faz um balançar de ramo que
parece ir quebrar.

Não. Não quebrou.

quarta-feira, abril 21, 2010


BRINQUEDO E OSSO

Não foi preciso muito para constatar que,
após, supostamente, retirar o brinquedo
da criança ela chorou e se zangou comigo...

No mesmo espaço em tempo, retirei o osso
dum cãozinho desconhecido que, se sentou no
chão, olhou para mim e lambeu minha mão...

Não comi o osso. Nem dei o brinquedo ao cão!

Uma hora.

Entre os dias de noite passadas numa só tarde
senti, vendo no interior de memórias, o calor do
vento suão, vindo ele em canoa, Tejo abaixo,
que ancorada ficou, por minutos desse tempo já
contado e disperso de mim, num estuário quase
oculto, escondido talvez, porque eu, sim eu, lhe
franqueei o acesso.

Desenhadas letras, que palavras formavam entre
pequenas ondas de enchete, já que em águas
pouco profundas ficou, entre elas, palavras, uma
ficou vincada, gravada mesmo em sulcaco profundo
de mim. Quatro letritas, dividindo entre vogais em
a iniciada, deixando que sem rumo ficasse todo o
dia, pois não mais foi lida, não podia, nem escutada.

Não. Não foi uma hora!!!

DEVO

Pois...

Devo vestir, (como e onde não importa), uma roupa que
faça de mim pessoa!

Devo usar, (para quê não interessa), fato de fino tecido
feito, já que será ele, (o fato), barómetro, bússula, azimute
indicador (ou indutor), duma projecção (lentes zenith),
tridimensional em tela preferida, ou pretendida, de quem me
olha além.

Devo mostrar, (ou tentar) o que de melhor tenho para ser
visto, (olhado é outro intento), palpado ou tocado levemente...

Sim...

Tem lógica, verdade, (sem ambição) o envolvente papel
de tons atraentes, (multicolor), dum pedaço de pedra,
delicadamente postada, (colocada seria eterna), sobre a
mesa (fria) dum alto laboratório analítico, (já que o sintético
é rudimentar), onde irá ser retalhado, (com carinho de aço
puro), o, julgado, corpo inerte que contém, uma imaginária
alma, temente a tudo, (do nada e só, vindo) sendo depois
expôsto para estudo, consciente, da forma, (ou fórmula)
correcta de ser vendido, (colocação tentada em prateleira
baixa), como produto (sim), resulante (resultado talvez), da
capa que o envolve, com brilho cativante ao olhar,
já que, só eles, (os olhos), decidem da sua compra.

Depois, pergunta, (ou pergunta-se) alguém...

Porque amarga o chocolate?

Perto, ao lado talvez, um pedaço de papel pardo, que envolve
um pãozinho de leite, sorri...

Ele, (o pão), não deixa que por debaixo dele, transpareça um
certo (sentido) vapor emanado do seu interior.

Escuta-se (conseguida) interrogação de pensamento sentido...

Porque são quentes as lágrimas?

...Vou continuar a dever!


segunda-feira, junho 22, 2009

Sem cá.

Procurei, buscando, por entre carumas, afago para o meu
sono de cansado. Não dei, que me lembre, pelo adormecer
chegado no elegante trote da formiga avermelhada, (delga
de cinta), julgando-se em pista sobre o meu braço.

Dormi o tempo pedido em pensamento, quando, ao longe,
se foi, (não apagou), o vulto dum sonho ficado, em réstea,
nesta azinheira encostado.

Confusão de escrita. Tento adormecer de novo?

Sim. Sem lá!

sábado, maio 09, 2009


Porque se refugiam as
personagens dos meus
sonhos entre as estrelas?

Porque... as estrelas
são virgens!

O poço, a água e ele.

Na pedra do poial, ladeando uma porta com cortina descaída,
senta-se, rosto entre as mãos, olhando com olhar cansado e
triste, o verde amarelecido das batateiras.
Um ligeiro, ténue mesmo, esboço de soluço, percorre-lhe a
garganta, provocando um sufocar impeditivo do fluír normal
da saliva, lubrificante preciso para as suas cordas vocais, que,
em contracções naturais, emitem, ou formam, sons com os
quais surgirá a fonia "obrigado".
Esfrega um pouco a testa, suada pelo esforço dispendido na
refrega contra as ervas danosas, sentindo então, sulcos já
vincados e surgidos, (aparecidos), num ápice, entre meses do
árduo labor, a que não estava habituado, mas abraçado e
enfrentado com a determinação do querer, ainda que atitude
assim mantida, seja mãe, (ou madrasta), de erupções cutaneas,
algumas dolorosas, campeando nas palmas das mãos, até então
de pele fina, por entre as quais se deleita, num repassar lan-
guido, luxuriante até, a madeira torneada que forma os cabos
da enxada, ancinho e outros utensilios aptos (adaptados
alguns), no revolver (trabalhar) duma terra, (terreno) que,
não lhe pertencendo, ao seu cuidado ficou, e á qual sózinho,
se dedica.
Pensa em como gostaria de semear e plantar mais, mas não tem
sementes nem plantas. A forma de as obter, de momento, não
está ao seu alcance. Terá de esperar.
Para a semana, talvez no dia seguinte, (amanhã), quem sabe as
formigas, no seu carreiro, trarão com elas pequenos bagos, sementes...
Ao fundo, distante, avista o poço de onde poderá retirar a água
tão necessária para regar (alimentar) as plantas, a terra, já
ressequida pelo calôr feito sentir nestes dias, tornando viçoso
e produtivo todo aquele imenso espaço, sem esquecer as
sequiosas laranjeiras, romanzeiras, marmeleiros e outras
pequenas, em desenvolvimento, árvores de fruto.
Um pequeno motor de rega! Sim, é, tem sido, o seu sonho de
muitas noites.
Imagina-o colocado sobre um suporte, por ele construido, junto
ao poço, ligando a mangueira por onde a água irá correr ate ás
leiras plantadas e semeadas, vendo o sorriso agradecido da
terra ao sentir-se agraciada pela frescura recebida e humidade
mantida.
Mais instrumentos, (apetrechos), de trabalho fazem falta, pensa,
num sussurrar, interior, envergonhado, (uma prece talvez), como
seria bom ter tudo, (não muito), para com um sorriso, assobian-
do até, lavrar, arar, aquela terra, assistindo depois ao florescer,
verde (não amarelado), das sementes e plantas nela posta.
A tarde finda. Leva a mão ao bolso, tira um lenço amarrotado,
limpa a testa, o nariz, os olhos.

Levanta-se. Sente o corpo dorido.
Devagar ergue a cortina da porta...

Entrem. Diz!