sexta-feira, outubro 13, 2006

No deserto (do mundo que desconheço), não de mim, me perdi, (não em mim)...
Com apego me dediquei a construir império palpável de areia. Busquei, entre paredes, erguidas à força de mão e pulso, sombra onde me abrigar do Sol lindo, que, por o ser, queima.
Olho em meu redor. Nem sombra projectada de árvore ou arbusto... Nem de mim.
Não vejo, sinto, ao longe, (já perto), o sopro do vento cálido deste deserto. Irá ele quedo ficar? Poupar meu império á sua ira?
Limpei a areia de meus olhos... Nada restou...
Vejo, sim, miragem de branco vestida.
Olha para mim, sorriso aberto. Coloca a meu lado canas de pesca, fio de nylon e anzois...
Em pensamento agradeci sorrindo... Agora, lentamente escavo...

segunda-feira, outubro 09, 2006

TEAR DE MIM
Coloquei na trama, grandes fios de esperança. Na urdideira deixei ficar linha
de amizade em tom azul. Com linha branca colocada na corrediça, começo a tecer lentamente...
Neste entrelaçar deposito a ciência do cultivo dum eu que semprei fui e continuarei a ser, ainda que a linha se parta vezes sem conta. Prosseguirei até que esteja concluido este alinhar de pompons. Gotas, pequenas gotas rolando por este vale de mim, e, no fim ficarei com um manto para cobrir meu corpo gelado. Não, que visita ténue de morte me tenha afagado. Sim, pela flecha com nome em meu corpo espetada, por amizade entregue sem nada...
Olho minhas mãos trémulas. Teimam em tecer. Deixá-las correr ternamente, afagando as linhas cruzadas deste tear amaro, feito de restos guardados (ainda quentes) dessa amizade dada.
Partiu-se a linha... Dou um nó... Continuo...