segunda-feira, outubro 09, 2006

TEAR DE MIM
Coloquei na trama, grandes fios de esperança. Na urdideira deixei ficar linha
de amizade em tom azul. Com linha branca colocada na corrediça, começo a tecer lentamente...
Neste entrelaçar deposito a ciência do cultivo dum eu que semprei fui e continuarei a ser, ainda que a linha se parta vezes sem conta. Prosseguirei até que esteja concluido este alinhar de pompons. Gotas, pequenas gotas rolando por este vale de mim, e, no fim ficarei com um manto para cobrir meu corpo gelado. Não, que visita ténue de morte me tenha afagado. Sim, pela flecha com nome em meu corpo espetada, por amizade entregue sem nada...
Olho minhas mãos trémulas. Teimam em tecer. Deixá-las correr ternamente, afagando as linhas cruzadas deste tear amaro, feito de restos guardados (ainda quentes) dessa amizade dada.
Partiu-se a linha... Dou um nó... Continuo...

2 Comments:

At 09 outubro, 2006 22:18, Anonymous Anónimo said...

misterioso e profundo como tu...
um abraço caloroso :)))

 
At 18 outubro, 2006 21:13, Anonymous Anónimo said...

envolto num ramo misterioso, conseguimos ler nas entrelinhas, a profundidade do teu eu, como Ser Humano.

Nunca deixe de ser quem é... faz de si um pássaro raro, neste mundo conturbado, onde os valores ja nada valem.

Abraço - Maria

 

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