sábado, fevereiro 03, 2007

NINFANDO OU ESPERANDO
Com uma ruga, de expressão, sobre o sobrolho direito, (que coço com as unhas ainda por aparar), olho com desespero o relógio na minha frente cujo ponteiro grande mais parece um policía sinaleiro na rotunda frente ao mercado de Alcantara, saltindo em estrebuchar de soluços para junto do número indicador de serem 21,00 horas.
Hoje é Segunda feira, prevejo ou antevejo (nem sei até se vejo alguma coisa)mas sinto-me como estando no corredor da morte (salvo seja), qual condenado a quem é concedido o último desejo. Não foi um cigarro que pedi, não. Nem tão pouco a já terrificante companhia dos ratos que me afagam. Afinal, sirvo de cobaia para estudos da ciência, (este é o consolo que me resta), afim de se averiguar e testar até onde vai o auto-sofrimento humano, após 2 longas e interminaveis horas de sujeição aos tão falados "gafanhotos" expelidos de quando em vez, (minuto a minuto), pelos lábios com retoque de alguém na minha frente, teimosamente palitando os dentes com um clips, não sem que antes o tivesse utilizado para catar o bixinho do ouvido.
São pulseiras de missangas, colares de madrepérola, bergantim feito em arame adornado com sementes de sálamo, (castanha de caju também não ficaria mal), tudo isto aliado ao avassalador cheiro a brinlhantina, comprada nos Armazéns da Betesga. Ia, eu dizendo, ou pelo menos tentando descrever, o sofoco, aflição e até um certo devaneio ou perca de sentido, perante tal assombração, (que não o é...), donde jamais alguém conseguiu resistir em tempo superior ás 3 horas consequtivas de matraquear em tom de Dó Menor... Imaginem tudo isto espalhado pelos sítos mais inconvenientes, incluindo a mesa de anatomia.
Olho carinhosamente todos os objectos. É com um misto de pena e ternura que lhes paço com a mão, tentando transmitir-lhes todo o meu apoio para o sacrificio a que se irão sugeitar...
Apressademente bebo um copo de água, e preparo-me qual tubo de ensaio...
Eis-me aqui...