A SAGA DOS TEUS MEDOS
De longe observo a maneira como cuidadosamente escolhes o banco do jardim onde te irás sentar. Olhas o arvoredo, (não tanto quanto gostarias), buscas com esse mesmo olhar as flores amarelas, tuas preferidas, (de sonhos coreagrafados sobre os quais me irás falar um dia), nem te das conta, pois está sol, dos estragos causados pelas intempéries, (cacimba que queima, frio que enregela), com o banear de cabeça vês tudo em teu redor, olhos húmidos fustigados pela leve brisa que se faz sentir.
Reparas então no vendedor de castanhas lá ao fundo. Estás a ver? Segues os seus movimentos quase maquinais no retalhar das mesmas, com pequenos golpes de canivete, e como as põe dentro do assador de zinco e coloca sobre o fogareiro embutido na carrinho, artesanal, de madeira. A curiosidade e o gosto pelo conhecimento, aprendizagem de tudo, fazem com que tuas pernas, pachorrentas, saboreando o momento de devaneio a que te devotas, te conduzam em passos seguros e marcados, até junto do homem das castanhas.
Páras. O fumo branco que sai do assador trás algumas recordações. Eu, distante, tento passar para além do teu pensamento sem o conseguir. Tu, nostálgicamente, talvez por falta do amarelo das flores, esboças um leve sorriso e contente ficas com o branco das castanhas por fora. Olhas, fixamente, o amarelo do seu interior. Continuas parada. Um pequeno vinco se vai formando sobre a tua fronte. Ligeiro estremecimento te invade. Não é do frio. Sentes-te desfalecer um pouco.
De longe observo a maneira como cuidadosamente escolhes o banco do jardim onde te irás sentar. Olhas o arvoredo, (não tanto quanto gostarias), buscas com esse mesmo olhar as flores amarelas, tuas preferidas, (de sonhos coreagrafados sobre os quais me irás falar um dia), nem te das conta, pois está sol, dos estragos causados pelas intempéries, (cacimba que queima, frio que enregela), com o banear de cabeça vês tudo em teu redor, olhos húmidos fustigados pela leve brisa que se faz sentir.
Reparas então no vendedor de castanhas lá ao fundo. Estás a ver? Segues os seus movimentos quase maquinais no retalhar das mesmas, com pequenos golpes de canivete, e como as põe dentro do assador de zinco e coloca sobre o fogareiro embutido na carrinho, artesanal, de madeira. A curiosidade e o gosto pelo conhecimento, aprendizagem de tudo, fazem com que tuas pernas, pachorrentas, saboreando o momento de devaneio a que te devotas, te conduzam em passos seguros e marcados, até junto do homem das castanhas.
Páras. O fumo branco que sai do assador trás algumas recordações. Eu, distante, tento passar para além do teu pensamento sem o conseguir. Tu, nostálgicamente, talvez por falta do amarelo das flores, esboças um leve sorriso e contente ficas com o branco das castanhas por fora. Olhas, fixamente, o amarelo do seu interior. Continuas parada. Um pequeno vinco se vai formando sobre a tua fronte. Ligeiro estremecimento te invade. Não é do frio. Sentes-te desfalecer um pouco.
Uma nuvem passa pela tua cabeça, (não por cima),e, devagar, te afastas...
Sentada no banco, já refeita do pequeno precalço, vendo a gente que passa perto de ti, te olham, (estanhamente?), e seguem sem um sorriso. Ficas triste. Procuras um cigarro, que acendes, e com gestos impensados, vais fumando, olhando o fumo, seguindo-o, esperando, (pensas), o mesmo se dirija em direcção ao mar. Sim, o mar que sabes seguir sempre em direcção aquilo que mais amas. Então, lentamente, recostas-te no banco com um pensamento balbuciado entre dentes. "Detesto os Domingos".
Semi-cerras os olhos, deixando que o Sol te acaricie o rosto. Por agora não queres olhar mais as pessoas. Aconchegas o cachecol no pescoço, enrolas nele as mãos, entregas-te aos teus pensamentos...
Sentada no banco, já refeita do pequeno precalço, vendo a gente que passa perto de ti, te olham, (estanhamente?), e seguem sem um sorriso. Ficas triste. Procuras um cigarro, que acendes, e com gestos impensados, vais fumando, olhando o fumo, seguindo-o, esperando, (pensas), o mesmo se dirija em direcção ao mar. Sim, o mar que sabes seguir sempre em direcção aquilo que mais amas. Então, lentamente, recostas-te no banco com um pensamento balbuciado entre dentes. "Detesto os Domingos".
Semi-cerras os olhos, deixando que o Sol te acaricie o rosto. Por agora não queres olhar mais as pessoas. Aconchegas o cachecol no pescoço, enrolas nele as mãos, entregas-te aos teus pensamentos...

2 Comments:
Passando por aqui , nao podia deixar de comentar, gosto da maneira como te expressas , continua ,parabens
Um beijo e aquele abraço :)
vai ler a alma-de-luz. Vais gostar
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