quinta-feira, novembro 27, 2008

DEU

Se deu!
Deu o gosto de sentir, (em palpação entre sóis), a barra
horizontal, por cordas suspensa, num, (ou dum), baloiçar
ritimado ao som do clarinete prateado, (não de anjos), sim
de arautos longíquos, (no outro lado do reino), já que neste
me encontro e quedo.

Sim deu. O poder, (efémero?), de guindar, singrar, elevar,
em prosaica levitação, o querer, sabendo que tal (querer),
aqui fica confinado á penumbra graciosa, envolvente, qual
abraço de espuma, (em sal), ocultando retinas, (meninas),
de brilho espelhado, espraiando suspiros contidos, para
além das giestas, rosmaninho e musgo crescente, entre
penedos, (de saudade?), que por ali ficam, (marcos), meros
testemunhos, brotando calor se afagados pelo sol, ainda
que poente, emanando frescura, (não frio), se roçados, ou
tocados, levemente, pelo vento norte, (contrariando o adágio
de seu irmão suão), pois sábio algum sabe, qual deles mais
forte.

Se deu!
Deu o sabor amaro, (embora adocicado), de fina pele num
toque furtivo, (fugidio?) entre entardecer de espantos, onde
pegado foi o pincél fino do traço.

Sim deu. O sentido certo, (não destino ou caminho), a
embriões errantes, para encontrarem útero acolhedor,
onde a gestação feita será, com pausa, sem avidez,
germinando em madre de mil águas jorradas, (violaceas
na côr), branco rosado do cordão esticado, em espera
serena de mãos que, amparando, segurem num colo
tão pequena arte.


Cedeu. Ao alvorecer!!!



terça-feira, novembro 25, 2008

Espero.



...E a vida, rodeada de papéis, (assuntos pendentes),
acolheu-me com um sorriso, prasenteiro, (de circunstância),
olhou-me, (sem fixar o olhar), maneou a cabeça, pensativa,
talvez na busca de palavras sem conteúdo definido, que,
possívelmente, me iria transmitir.

Valeu esperar. Ela, (a vida) em sua sapiência, tocou, não
afagou, a minha mão e, com sua voz trinante, (ou trémula?)
disse-me... "Espera, é cedo"!

Esperei. Muito tempo? Não.

Notei, (ou achei, senti) a vida instável...



segunda-feira, novembro 24, 2008

VOU ALI.

Vou ali falar com a vida...

Já volto!

segunda-feira, novembro 10, 2008

SÃO QUENTES. SÃO BOAS?


São quentes as mãos que me envolvem, neste Outono
teimosamente gélido, dando lugar, ou origem, a pequenas
partículas de cloreto de sódio num rolar prasenteiro, deleitado
até, sob as pálpebras destes olhos fatigados do mendigar sorrisos,
já que o gargalhar distante ecoa entre a ramagem da azinheira
secular plantada na beira, berma, dum caminho, estrada, que de
vida poderia ser, não fora a paragem brusca, repentina, num tempo
sem pautação dos minutos, horas até, passados, não perdidos, em
busca de mim entre o restolho, além, no sopé, onde amanheci
estendido num estrebuchar de sonhos...


São boas?


Pelo menos quentes são!!!

SEM SINOS NEM DOBRADOS

Não de cansado me abrigo sob a ramada verde desta árvore.
Tento, em olhar turvo pelo vento, (sabendo que minto no dito),
oscultar para além dos dias, longos, distantes, o ramo abrigado
onde, de frio tolhido, me embrenhei na conciliação dum sono de
teimoso despertar...

Não de cansado, me deixo afagar pelo vento fino que, de calor
envolvido está, da fragância nunca tida. Sentida sim, e de tal
não me canso!

Não de cansado espero o alento buscado, (tido), em noite dum
Novembro há pouco começado.

Aqui, não de cansado, repouso!