terça-feira, abril 28, 2009

Exertos em Sol Maior

(Sardanisca)

Obrigado tio, por me teres trazido estas coisas.

Beijo tão sentido de carinho. Olhitos negros e grandes, brilhantes de côr e água. Abraço tão apertado, com mãozitas envolventes. Inocência agradecida! De pé, aguarda o afago nos cabelos, negros e expessos, embevecidamente olhando os pacotes, açúcar, arroz, bolachas...


Hoje vou beber leite, tio.

Obrigado

Quatro anos de gente em sorriso!!!

quarta-feira, abril 22, 2009

Sem serenata. Só chuva.
Aborrecida chuva. Caindo sem parar. E agreste o fino vento.
Além, por detrás do sobreiro, os borregos e ovelhas tentam
abrigar-se, salvando a lã, das gotas, pequenitas, frias, (gélidas
por vezes), que teimam em fustigar, (num afago encoberto),
tudo quanto se mova ou inerte fique, sendo pura, ainda virgem,
deverá por isso mesmo ser protegida, (a lã) da sua investida
inesperada, com intervalos amenos sim, mas pequenos.
Por perto, (de mim), uma criança saltita, cabelos escorrendo,
soltos que estão, rindo de contente, braços esticados, manitas
abertas, enquanto vai cantarolando, (olhando-me), com gritinhos,
em devaneio de alegria...
"Chove, chove, não há galinha... Nem nove."

(Em Bi bemol)

Toquei o alendro.
Colhi rosmaninho.
Fiz isso tremendo.
Maldade ou carinho?

terça-feira, abril 21, 2009

(Sustenido de Fá)

Fui esculpido nos caniçais da graça.
Moldado entre vinhas sem ira.
Por berço tive a mordaça.
Nunca beijei a mentira.

segunda-feira, abril 20, 2009

VOU DEIXAR-TE O LIXO

Sim. Encontrado que foi, visto, apanhado, (reciclar não podia),
ficou (fica), guardado em canto de ponta norte, já por sua
sorte magnética se aquieta, não com empurrar descuidado de
pés, nem tão pouco pela vassoura a seu lado olhando-o.
Repassando o vento, (suão teria de ser) pela porta, (fria de
ferro sendo), toca entre frestas nos ladrilhos, (mosaico seja
descrito), com linguas de fino aguço, os espaços que, em distância,
protegem algum pedaço oculto (escondido não será) já que de
chão pisado se trata, em busca, (não emboscando), do dito
(pedaço), com sofreguidão, ansia talvez, (ansiedade não), duma
sucção perfeita, triturante, quiçá trituradora em indústria aplicada,
na intenção (tentada só), do volátil desaparecer de tal indicio
(indicador não o sendo) de presença, passagem em corrida de
tempo, pelo espaço guardado e em segredo mantido.

Deixar sossegar, (descansar sería pouco, tanto ar entre palavras),
tem por finalidadede esmorecer intentos dos ventos circundantes,
maliciosos até, que poderiam avivar, (ou acordar) desejos de corpo
inerte, mas movivel, se tocado (tocados se diga), no conteúdo, ora
abrigado, em leito de só.

Lixo. Pedaços de tanta coisa. Pequenos retalhos dum tudo.
Juntos que estão, (retalhos e pedaços), é, em continuado esforço,
o formar, lenta e cuidadamente, duma vida ali ficada. Contada. Dita.
Falada. Deixada.

Fica guardado, lixo!!!


Não estendi a mão!
Fiz do sorriso bandeja...

sexta-feira, abril 17, 2009

GADANHA EM MI MENOR


Encostada á parede, de amarelo pintada, (confessando ser caiada), não se
pode mover, tem vontade própria, em matéria de só, sem a possuir (ela),
para sair em direcção ás labaredas húmidas, (existem algumas secas), e
nelas se aprimorar para a refega já pensada, (com recurso a leito em pedra),
antes do entardecer, pois que a noite seria impeditiva real, (arauta sem missiva),
para o bom desempenho do fermentado fim, (suposto principio), dum prado verde
de sono, matriz de sonhos possíveis, onde se iria passear, (ela), em deleitado
roçar de sofrego desejo, deixando que seiva fresca, escorrendo pelo seu colo,
ficasse, (como sempre), pegada desde a ponta até final do seu gume.

Branca, cizenta em tom amornecido, fica em quietude embravecida, olhando-se,
buscando mãos afastadas, que de perto se chegam, num implorar, (suplica de si),
o erguer-se, baloiçar-se...

Determinada, (sem sentido), interroga-se. O que faz?

Gadanha-em em Mi Maior!!!






quarta-feira, abril 15, 2009


Não fui eu quem te deu a beber desse copo...

Nem te retirei o meu cálice!