VOU DEIXAR-TE O LIXO
Sim. Encontrado que foi, visto, apanhado, (reciclar não podia),
ficou (fica), guardado em canto de ponta norte, já por sua
sorte magnética se aquieta, não com empurrar descuidado de
pés, nem tão pouco pela vassoura a seu lado olhando-o.
Repassando o vento, (suão teria de ser) pela porta, (fria de
ferro sendo), toca entre frestas nos ladrilhos, (mosaico seja
descrito), com linguas de fino aguço, os espaços que, em distância,
protegem algum pedaço oculto (escondido não será) já que de
chão pisado se trata, em busca, (não emboscando), do dito
(pedaço), com sofreguidão, ansia talvez, (ansiedade não), duma
sucção perfeita, triturante, quiçá trituradora em indústria aplicada,
na intenção (tentada só), do volátil desaparecer de tal indicio
(indicador não o sendo) de presença, passagem em corrida de
tempo, pelo espaço guardado e em segredo mantido.
Deixar sossegar, (descansar sería pouco, tanto ar entre palavras),
tem por finalidadede esmorecer intentos dos ventos circundantes,
maliciosos até, que poderiam avivar, (ou acordar) desejos de corpo
inerte, mas movivel, se tocado (tocados se diga), no conteúdo, ora
abrigado, em leito de só.
Lixo. Pedaços de tanta coisa. Pequenos retalhos dum tudo.
Juntos que estão, (retalhos e pedaços), é, em continuado esforço,
o formar, lenta e cuidadamente, duma vida ali ficada. Contada. Dita.
Falada. Deixada.
Fica guardado, lixo!!!

1 Comments:
Lixo....apenas papéis sujos sem qualquer segunda intenção.
Papéis esfarrapados de quem vive cansado de demasiadas vidas viver
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