quarta-feira, abril 21, 2010

DEVO

Pois...

Devo vestir, (como e onde não importa), uma roupa que
faça de mim pessoa!

Devo usar, (para quê não interessa), fato de fino tecido
feito, já que será ele, (o fato), barómetro, bússula, azimute
indicador (ou indutor), duma projecção (lentes zenith),
tridimensional em tela preferida, ou pretendida, de quem me
olha além.

Devo mostrar, (ou tentar) o que de melhor tenho para ser
visto, (olhado é outro intento), palpado ou tocado levemente...

Sim...

Tem lógica, verdade, (sem ambição) o envolvente papel
de tons atraentes, (multicolor), dum pedaço de pedra,
delicadamente postada, (colocada seria eterna), sobre a
mesa (fria) dum alto laboratório analítico, (já que o sintético
é rudimentar), onde irá ser retalhado, (com carinho de aço
puro), o, julgado, corpo inerte que contém, uma imaginária
alma, temente a tudo, (do nada e só, vindo) sendo depois
expôsto para estudo, consciente, da forma, (ou fórmula)
correcta de ser vendido, (colocação tentada em prateleira
baixa), como produto (sim), resulante (resultado talvez), da
capa que o envolve, com brilho cativante ao olhar,
já que, só eles, (os olhos), decidem da sua compra.

Depois, pergunta, (ou pergunta-se) alguém...

Porque amarga o chocolate?

Perto, ao lado talvez, um pedaço de papel pardo, que envolve
um pãozinho de leite, sorri...

Ele, (o pão), não deixa que por debaixo dele, transpareça um
certo (sentido) vapor emanado do seu interior.

Escuta-se (conseguida) interrogação de pensamento sentido...

Porque são quentes as lágrimas?

...Vou continuar a dever!