quinta-feira, agosto 19, 2010

Tempo queimado.


Com um pedacito de pau, quebrado em olhar de celofane branco, vai empurrando para dentro do círculo de fogo, brasas apenas, envoltas por umas pequenas pedras, protectoras cuidadas, não vá o acaso da desdita acompanhada, levar uma delas, (brasas), para a caruma dos pinheiros ou folhas secas, tão secas, das giestas. Sem labareda, numa combustão de tenor, deixa que fique enegrecido, por acção do fogo, e, recorda, pelo tempo passado, galopar frenético, provocado que é, da química reacção, duma ilusão, não de óptica, sim de sentir, contida, ou guardada, numa caixinha feita de cana, cortada com imensa paciencia, a qual envernizou em tom de castanho, e dela cuidou, sempre esgueirada a olhares não queridos, nem deixados, aproximar.

De negros e pequenos rolinhos, queimados, se apoderou em seus dedos esguios, palpou-os, um sorriso de encanto, e, lábios finos, desenhando pequena forja, sopraram em lentidão de sede, o que restou dum desejo escrito, retido no tempo.

Não te toquei, nem senti... Disse para si.

Mas vi, confirmei entre sons, a existência do que busquei... Disse para si.

Não vou guardar as cinzas dum sonho... Disse para si.

Soprou tudo o resto.
Levantou-se. Caminhando ate á fonte próxima, parou,lavou as mãos, não as limpou, seguiu...